20 de jun de 2010

Depoimento da mãe de uma criança autista

Começamos a investigar a hipótese de autismo quando notamos, por volta de um ano de idade, alguns comportamentos diferentes, estereotipados, como andar na ponta dos pés, ou com movimentos repetitivos para frente e para trás, diante da televisão, acompanhados de gritos. Também quase não olhava nos olhos, não sorria, não brincava, não interagia com outras crianças e muito pouco com a família, além de não responder ao ser chamado. Depois observamos que se conhece pouco sobre o assunto, mesmo na área de saúde é pouco difundido. Alguns especialistas chegaram a não concordar com o diagnóstico, em função da sua pouca idade. Agora, com três anos, a nossa prioridade é conseguir todo o tratamento inicial: Psicopedagoga, fonoaudióloga, neurologista... por tratar-se de um atendimento multidisciplinar em conjunto com a família. Quanto às escolas, ele só será aceito a partir dos seis anos de idade, precisando estar liberado das fraldas e com algum convívio social, entretanto ele tem medo de lugares cheios e barulhentos como aniversários e parques fechados.
Com relação às creches, as dificuldades aumentam, pois a última em que esteve por um ano e meio, as “tias” teriam que passá-lo para o maternal, mas não havendo sucesso, ele permanecia a maior parte do tempo trancado no berçário por um portão de madeira, sem acesso ao resto da creche. Convém ressaltar que ele não tem noção do perigo, não fala nenhuma palavra e sua maneira de se comunicar é conduzir as pessoas pela mão, até o que ele quer. Ele não aponta e nem imita. O desfecho da creche eu considero muito triste, pois a mãe de uma das crianças ditas “normais”, pressionou a dona da creche, acompanhada de uma assistente social, dizendo que ela não podia ter, junto às normais, uma criança autista. Saí no meio do expediente e fui buscar meu filho, aos prantos e desesperada, com medo por ele. A solidão que sentia é aquela que sentimos quando estamos rodeadas de gente a qual não se pode contar, confiar ou dividir as mágoas diante de tanto preconceito e desinformação, mas o desinteresse é o pior deles.  
 Vivemos  numa sociedade que fala em igualdade social mas, o que se vê na prática é bem diferente.
Qualquer coisa ou pessoa fora do padrão não é bem aceita. Eu só gostaria que a demagogia, o romantismo e as falsas palavras fossem deixadas de lado para prevalecer o amor de Jesus, que tentou unir a todos, com todas as diferenças mas com a mesma fé em Deus. 
                                                                                                                 

4 comentários:

  1. Olá sou Maria Lúcia, tambem tenho um filho autista ,sofro com todas as realidades citadas no seu texto alem de ter um cansaso inesgotável .Se puder entre em contato comigo no meu e-mail 'Daianesentos05@gmail.com' para podermos trocar idéias e assim fazermos de nós mães um próprio instrumento de fonte e saber.
    Desde já agradeço Maria Lúcia Formiga-Mg

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  2. Olá sou Maria Lúcia, tambem tenho um filho autista ,sofro com todas as realidades citadas no seu texto alem de ter um cansaso inesgotável .Se puder entre em contato comigo no meu e-mail 'Daianesentos05@gmail.com' para podermos trocar idéias e assim fazermos de nós mães um próprio instrumento de fonte e saber.
    Desde já agradeço Maria Lúcia Formiga-Mg

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    1. Olá, Maria Lúcia! Esse depoimento é de minha cunhada, mãe do meu sobrinho que está hoje com quase 8 anos. Realmente não é nada fácil e o pouco conhecimento da maioria das pessoas incluindo médicos e professores dificulta ainda mais.
      Encaminhei tua mensagem e e-mail pra ela pois, acredito ser importante essa troca.
      Beijo e sucesso com teu filho, querida!

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  3. A sociedade ainda é muito excludente. Isso causa-me desgosto.

    Fiquei sensibilizada pela situação que está. Desejo que possa encontrar as boas pessoas e se preservar das adversidades.

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