28 de mar de 2011

Autonomia, Autoestima e Aprendizagem

                                                                                                                       Rejane S. Bruck

            A autonomia, segundo o dicionário Aurélio, significa, entre outras coisas: Faculdade de se governar por si mesmo; Liberdade ou independência moral ou intelectual; Propriedade pela qual o homem pretende poder escolher as leis que regem sua conduta. Portanto, como se viu, a autonomia está ligada à capacidade de escolha e de independência.
            De acordo com Branden (1999), autoestima é a maneira como nós nos enxergamos, nos sentimos; é o sentimento de valor e de competência pessoal e é a chave para o sucesso ou para o fracasso.
            Autonomia e autoestima estão intimamente ligados. Para que um sujeito seja autônomo ele precisa acreditar que é capaz de pensar, de agir, de decidir, ou seja, ele precisa ter sua auto-estima elevada.
               Aprendizagem é a aquisição de novos conhecimentos, que acontecem, segundo a teoria piagetiana, mediante o processo de assimilação e acomodação. Esse processo ocorre de forma ativa, isto é, o sujeito precisa agir sobre ele próprio e sobre o objeto do conhecimento, modificando a ambos.

Uma das características do sujeito que sofre de problemas de aprendizagem é o não reconhecer-se autor de seus pensamentos; por tal motivo os jovens que atendemos costumam dizer: ‘acertei’ ou ‘adivinhei’, quando conseguem responder a um cálculo matemático ou a alguma outra atividade onde seja explícito e evidente que estão pensando (FERNÁNDEZ, 2002 p. 84).

            Portanto, para uma criança com dificuldade na aprendizagem tornar-se verdadeiramente autônoma, é preciso antes acreditar em si, em suas capacidades.
            Em geral, as crianças que sofrem com problemas de aprendizagem do tipo sintoma tem baixa autoestima e quase nenhuma autonomia de pensamento. Esse problema da baixa autoestima vem, na maioria dos casos, da dinâmica familiar, do papel que a família, de forma inconsciente, atribui a esse membro. Esse sujeito, por sua vez e também de forma inconsciente, procura confirmar esse papel que lhe atribuíram, através do não aprender. 
            A autoestima pode ser influenciada, em especial quando se ainda é criança, pelo conceito que o adulto cuidador tem dela e que pode ser transmitido através de palavras, de gestos ou de omissões e que pode ser negativo ou positivo.
            A autoestima está relacionada ao que o sujeito pensa com relação a ele mesmo, independente do que outras pessoas possam pensar, pois ela está dentro de cada um.
            A conquista de uma autoestima positiva é fundamental para que as demais conquistas da vida, como a formação de uma nova família e o sucesso profissional, sejam vistos como vitórias, como situações felizes pois, se caso a autoestima seja negativa, todas as demais conquistas parecerão vazias, sem sentido e sem valor. Sobre o conceito de auto-estima, Branden diz:

Ela tem dois componentes: o sentimento de competência pessoal e o sentimento de   valor pessoal. Em outras palavras, a autoestima é a soma da autoconfiança com o auto-respeito. Ela reflete o julgamento implícito da nossa capacidade de lidar com os desafios da vida [entender e dominar os problemas] e o direito de ser feliz [respeitar e defender os próprios interesses e necessidades] (1999 p. 9).


           A  autoestima elevada faz com que a pessoa se olhe com admiração e sinta-se hábil a encarar os desafios que encontra pelo caminho. O sujeito se vê como alguém que tem valor e é merecedor de respeito dos outros e de si próprio

Aos interesses ou valores relativos à própria atividade, estão ligados de perto os sentimentos de auto-valorização: os famosos ‘sentimentos de inferioridade’ ou de superioridade. Todos os sucessos e fracassos da atividade se registram em uma espécie de escala permanente de valores; os primeiros elevando as pretensões do sujeito e os segundos abaixando-as com respeito às ações futuras (PIAGET, 1967 p. 39).


            As pessoas que não possuem uma elevada autoestima em geral são sujeitos que passaram por muitas situações de fracasso ou de perdas e que acabam por incorporar essas derrotas como algo evidente, como algo comum em suas vidas, afetiva, emocional ou profissional. É preciso desconstruir esse conceito negativo e esse pensamento de que o fracasso é ponto consumado em sua vida pois somente assim ele renascerá um sujeito saudável, que acredita em si, que encara desafios e que age autonomamente.
       De maneira sintetizada, pode-se dizer que a dificuldade de aprendizagem e em especial a do tipo sintoma, sofre influências de questões subjetivas como a baixa autoestima, por exemplo. Esse baixo auto-conceito provocará, consequentemente, uma crença de que não é capaz de tomar decisões acertadas e que, por isso, dependerá sempre do outro para decidir qualquer assunto em sua vida.
       O conceito que o sujeito formará de si próprio tem início no meio familiar, com os primeiros cuidados feitos de forma a satisfazer as necessidades físicas e emocionais do bebê, ou seja, cuidados inicialmente feitos pela mãe (WINNICOTT,1989) que se adapta às necessidades do bebê para que estes possam dar continuidade ao seu desenvolvimento, que é a base da saúde mental do bebê, e que facilitará ou não o seus aprendizados.
       A aprendizagem é construída pelo sujeito a partir de seus conhecimentos prévios num processo de assimilação e acomodação, onde a pessoa faz relação entre os saberes anteriores e os novos, transformando a si própria e aos novos conhecimentos, deixando-os mais complexos. Esse novo aprendizado servirá de base para as  próximas aprendizagens.
       O aprendizado acontece de forma ativa, a ação é do sujeito aprendiz. Uma pessoa com baixa autoestima sentirá dificuldade nessa autonomia, nessa iniciativa, dificultando, assim, a aquisição de novas aprendizagens.
       Esse conceito negativo que um sujeito tem de si e que prejudica sua autonomia e seus aprendizados pode ser modificado através de um trabalho que vise, essencialmente, esse fim, como é o caso da psicopedagogia que tem com principal meta formar autores de seus próprios pensamentos. A maneira mais eficaz de ajudar a recuperar a autoestima de uma pessoa é acreditando nela. “Essa questão de confiar na capacidade de aprender e apostar nela, resgatar a identidade de ser gente, que um necessita para bem viver. Só isso já é um impulso para o alcance que qualquer objetivo” (FUCK, 1993 p.41).  E claro, acreditar verdadeiramente. Essa atitude positiva deve ser um dos princípios do trabalho de recuperação do sentimento de valor próprio.
[ Texto com registro na Fundação Biblioteca Nacional ]

Referências

BRANDEN, Nathaniel. Auto-estima: como aprender a gostar de si mesmo. 34 ed., São Paulo: Saraiva, 1999
FERNÁNDEZ, Alícia. Psicopedagogia em Psicodrama: morando no brincar. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.
FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos: relato de uma experiência construtivista. Petrópolis, RJ: Vozes,1993
PIAGET, Jean. O desenvolvimento mental da criança. In: Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: FORENSE, 1967
WINNICOTT, D.W Tudo começa em casa. São Paulo: Martins Fontes, 1989






4 comentários:

  1. OLá,Rejane tudo bem! O seu blog também é muito bom vou ser sua seguidora. Gostei muito da questão aprendizagem autonomia e auto estima. Gostaria de estár reforçando este arigo nomeu blog.
    Me confirma por favor.
    beijus!!!
    Márcia

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  2. É difícil convencer alguém com baixa auto-estima a acreditar mais em si. Minha prima é muito inteligente mais de tanto criticarem acabou acreditando nos outros e o pior que é mais fácil acreditar nas críticas do que nos elogios!

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  3. Gostei do texto, vou usar no meu trabalho da facu... mas não se preocupa: sempre ponho os créditos a quem de direito!

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  4. Tudo a ver o título com o texto! Quanto mais elevada a estima mais liberdade pra agir autonomamente e mais facilidade em aprender!

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